Para ilustrar a devoção que cada um deve ter à Nossa Senhora, foi realizada uma peça teatral: “A Camponesa cega de um olho”.
Desde a sua mais tenra infância empenhou-se em amar e conhecer à Rainha do Céu. Para isso rezava muito e quanto mais rezava mais lhe crescia a devoção.
Um dia, tendo ido à Santa Missa, ficou profundamente impressionada ao ouvir uma leitura da passagem de São Paulo que dizia: “Coisas que os olhos não viram, nem os ouvidos ouvirem, nem coração humano imaginou, tais são os bens que Deus tem preparado para aqueles que o amam” (1COR 2,9).
Após muito considerar, chegou à seguinte conclusão: “Sim, nada do que se diz sobre a Virgem Maria é suficiente para que a possamos conhecer. Ah, se eu pudesse vê-La com os meus próprios olhos...”
E, desde então, esta ideia não lhe saiu da mente. Com este anseio, ela despertava e adormecia. E mesmo durante os trabalhos, por vezes um suspiro lhe saía dos lábios: “Se ao menos eu pudesse vê-La uma só vez!”.
Certa noite, enquanto se preparava para dormir, dirigiu à Virgem esta súplica. “ Senhora que eu ao menos possa ver-Vos uma só vez!” E deitando-se adormeceu profundamente... Eis que de repente acordou sobressaltada com uma intensa luz. Era seu anjo da guarda que lhe disse: “A Rainha do Céu ouviu tuas preces e deseja atender-te, mas para isso é necessário que ofereças um sacrifício: o de perder tua vista direita. Tu estás disposta a fazê-lo?” Ela aceitou de bom grado.
E o anjo retirou-se até desaparecer por completo. E eis que Margarida ouve uma música extraordinária. Oh! Maravilha! Surge a Mãe de Deus que, olhando com bondade para Margarida, toca em seus ombros. Aos poucos afasta-se até desaparecer por completo, deixando Margarida sozinha em seu quarto.
Tanta era a felicidade da afortunada menina, que não mais consegui dormir. Entretanto, percebeu que não mais enxergava do olho direito. Margarida a ninguém revelou o que se passara naquela noite. Transcorreram os dias, os meses e a camponesa vivia feliz na lembrança daquele inesquecível momento. Mas aos poucos sua alegria misturou-se com esta dor. Margarida sentiu saudades daquele indescritível olhar. Em seu coração renasceu o antigo desejo. “Ah, se eu pudesse vê-la novamente!.. Minha Mãe que eu Vos veja!”.
O seu anjo apareceu-lhe de novo: “Margarida, aqui me tem de volta! Se queres mesmo ver de novo a Virgem Santíssima, sabe que isso irá custar-te um outro sacrifício, maior do que o primeiro; estás disposta a oferecer a vista que te resta?” Naquele momento Margarida pôs-se a lembrar de todas as dificuldades que lhe ocasionou a falta de um olho. Agora ficar completamente cega? No entanto, seu amor foi mais forte e com vigor respondeu: “Sim, aceito! Ver Nossa Senhora mais uma vez, ainda que seja por poucos segundos, bem vale a dor de ficar cega o resto da vida!”
Tendo a Santíssima Virgem se retirado, Margarida permaneceu longo tempo lembrando-se daquilo que acabara de ver, e só no meio da madrugada lembrou-se: “Agora devo preparar-me para levar uma vida de cego.” Após alguns instantes adormeceu.
No dia seguinte... Ela percebeu que enxergava com os dois olhos e fez esta bela oração: “Senhora, eu vos peço a graça de retribuir em dobro aquilo que fizestes por mim e que eu possa contemplar este Vosso olhar por toda eternidade!”
Confortada por essa sublime dádiva, Margarida viveu longos anos, aguardando o dia em que Deus a chamaria para assim contemplá-Lo por toda a eternidade. A feliz camponesa viveu santamente e todos os seus conhecidos davam testemunho de que, até o fim de seus dias, lia sem dificuldade as menores letras, pois, segundo dizem “nunca houve uma camponesa com vistas tão boas...”.
















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