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segunda-feira, 30 de setembro de 2013

“Quero passar o meu céu fazendo o bem na terra”

Santa Teresinha do Menino Jesus
Em sua curta existência, atingiu elevado grau de santidade. Por seus imensos desejos e sua vida de sacrifícios, foi missionária sem sair do convento, e tornou-se Padroeira das Missões. Abriu uma nova via espiritual e foi proclamada Doutora da Igreja.
Irmã Juliane Campos, EP
Era 30 de setembro de 1897. Por volta das 16 horas, a comunidade do Carmelo de Lisieux, na França, reuniu-se junto ao leito de uma religiosa que, com apenas 24 anos de idade, parecia entrar em agonia. À hora do Ângelus, ela fitou longamente a Virgem do Sorriso, que a protegera sempre em sua curta existência. Segurava firmemente o crucifixo.
Notando que a enferma parecia ainda tardar um pouco mais nesta terra, a superiora dispensou a comunidade. Logo após, porém, soou novamente o sino da enfermaria e as religiosas retornaram às pressas, a tempo de presenciar uma sublime cena.
Fitando o crucifixo, a agonizante pronunciou esta breve frase: “Meu Deus... eu... Vos amo!”. Seu semblante se iluminou, parecia estar em êxtase. Durante alguns instantes, fixou o olhar num ponto pouco abaixo da imagem de Nossa Senhora que tinha à cabeceira. Depois cerrou os olhos e, com um sorriso nos lábios, entregou sua alma ao Criador.
Santidade fulgurante e... despercebida
Era costume a madre superiora fazer, durante as exéquias, um pequeno discurso sobre a religiosa falecida, exaltando suas virtudes e as obras por ela realizadas dentro das paredes benditas do Carmelo. Porém, a grande santidade da Irmã Teresinha passara de tal modo despercebida que duas freiras comentaram entre si: “Que irá dizer nossa Madre desta irmãzinha que levou uma vida tão inexpressiva entre nós?”
Não podiam imaginar que ia começar a prodigiosa obra póstuma desta desconhecida carmelita, Santa Teresinha do Menino Jesus e da Sagrada Face. Sem ter jamais saído do convento, foi declarada Padroeira das Missões. E hoje a mestra da “pequena via” de santificação está proclamada Doutora da Igreja.
Infância pervadida de piedade
Em 2 de janeiro de 1873, nasceu Maria Francisca Teresa Martin, em Alençon, França. De seus santos pais — Louis e Zélie Martin, que foram proclamados veneráveis em 1994 e estão a ponto de serem beatificados — aprendeu a amar a Jesus e a Maria. Ficou órfã de mãe aos 4 anos. Mas, nesse pouco tempo de convívio, recebeu muito carinho materno.
Aos dois anos, ouviu dizer que sua irmã Paulina seria religiosa. Nessa idade, ela não sabia bem de que se tratava, mas decidiu: “Também eu serei religiosa”. E acrescenta em suas memórias: “Depois disto, nunca mudei de resolução”. Pouco adiante, afirma: “Desde a idade de três anos, comecei a não recusar na- da que o bom Deus me pedisse.”
Depois da morte da mãe, escolheu sua irmã Paulina para ser sua “mãezinha”. Esta — juntamente com o pai e as outras três irmãs — cuidou da caçulinha com extrema- do desvelo, dando-lhe uma educação afetuosa e firme.
A família mudou-se para Lisieux, estabelecendo-se numa casa denominada “Buissonnets” (moitinhas). Perto, residia um tio de Santa Teresinha, o Sr. Guérin, cuja virtuosa esposa se encarregou de dar assistência às sobrinhas órfãs de mãe.
Uma cura milagrosa
Alguns anos após, Paulina entrou para o Carmelo. Isto significou nova perda para Teresinha, então com nove anos de idade, mas fortaleceu sua convicção de que também ela seria carmelita. Nesta época, acometeu-a uma estranha enfermidade que, além dos incômodos físicos, causava-lhe terríveis sofrimentos psíquicos. “Eu dizia e fazia coisas que eu não pensava. Quase sempre eu parecia delirar, dizendo palavras sem sentido”, narra ela. Segundo os diagnósticos médicos, essa doença poderia deixá-la louca se não a levasse à morte.
Nossa Senhora a curou, como ela própria relata:
“Não encontrando socorro algum na terra, voltei-me para minha Mãe do Céu e Lhe supliquei com todo ardor que Ela tivesse enfim piedade de mim. De repente, a Santíssima Virgem pareceu-me bela, tão bela que nunca eu tinha visto nada tão formoso. Sua face irradiava inefável bondade e ternura, mas o que me penetrou fundo na alma foi seu sorriso arrebatador. Então, dissiparam-se to- dos os meus sofrimentos. (...) Oh! — pensei comigo — a Santíssima Virgem sorriu-me! Como sou feliz...” (Manuscritos, § 94).
Santa decidida e audaciosa
Em lugar de brincar como as outras crianças, Teresinha preferia ter sua alma posta nos panoramas da contemplação. Gostava muito de ler, sobretudo certas histórias de cavalaria. Lendo a narração dos feitos heróicos de Santa Joana D’Arc, sentia em si o mesmo ardor e a mesma inspiração celestial, com um forte desejo de imitá-la. Com essas leituras, recebeu uma graça que considerou uma das maiores de sua vida: a compreensão de que nascera para a glória dos Céus, nascera para ser santa!
Decidiu então entrar logo no Carmelo de Lisieux, onde já se encontravam suas irmãs Paulina e Ma- ria. Falou com seu bondoso pai que, apesar de sofrer com essa separação, consentiu, considerando-se privilegiado pelo fato de Jesus tomar por esposa mais uma de suas filhas.
Mas não era comum receber uma noviça de apenas 15 anos... Teresinha não desanimou face à negação do padre superior do Carmelo. Manifestou-se decidida a recorrer ao bispo e mesmo ao Papa, se fosse preciso.
E assim o fez! Após um infrutífero recurso ao bispo, ela foi a Roma e, ajoelhada aos pés de Leão XIII, com os olhos marejados de lágrimas, expôs seu desejo:
    Santíssimo Padre, venho pedir-vos uma grande graça!
Surpreso, este inclinou-se para escutar bem, sorriu ao ouvir seu pedido e respondeu-lhe que os superiores decidiriam. Ela contra-argumentou que, com uma palavra dele, todos consentiriam.
— Vamos ver... Entrareis se o bom Deus quiser!... — disse o Papa.
Lutas na vida carmelita
E o bom Deus quis. Três meses depois, aquela valente jovem transpôs os umbrais do Carmelo, adotando o nome de Teresinha do Menino Jesus e da Sagrada Face, porque lhe calavam fundo na alma a infância e a Paixão do Salvador.
Na confissão geral que fez antes de receber o hábito de noviça, ouviu do confessor, Padre Pichon, essa consoladora afirmação: “Na presença do bom Deus, da Santíssima Virgem e de todos os Santos, de- claro que jamais cometeste um só pecado mortal.”
Mas, como tantas vezes ocorre com os Santos, as outras freiras não se davam conta da grandeza de alma daquela carmelita que se fazia tão pequena. Em toda a sua vida religiosa, deu sempre bons exemplos e aceitou com agrado todas as humilhações. Sem nunca desanimar, procurava fazer a vontade de Deus prestando serviço às demais, e tinha sempre um sorriso para todas.
Travou incessante luta para vencer-se a si mesma, sobretudo nos problemas próprios à vida comunitária. Por exemplo, no recreio, procurava conversar com aquelas que eram de convívio mais difícil; suportava pacientemente o irritante ruído que fazia uma freira, quando estavam no coro; não se quei- xava quando uma irmã de hábito lhe respingava água suja na hora de lavar a roupa. Sem cessar, oferecia a Deus esses inumeráveis pequenos sacrifícios, como oração e oblação.
Iniciou ela, assim, uma nova via espiritual: a “pequena via”, a via do abandono nas mãos de Deus, a via da infância espiritual, que to- das as almas, até mesmo as mais fracas, podem percorrer e, assim, santificar-se. Tudo fazia por amor a Deus. E sabia que só com auxílio da graça venceria as dificuldades. Gostava de dizer: “Tudo é graça!”
Padroeira das missões
Enclausurada nos muros do Carmelo, desejava conquistar o mundo inteiro para Jesus:
“Tenho vocação de ser Apóstolo... Quisera percorrer a terra, apregoar teu nome e implantar em terra de infiéis tua gloriosa Cruz. Mas, ó meu Bem-Amado, uma única mis- são não me bastaria. Quisera anunciar, ao mesmo tempo, o Evangelho pelas cinco partes do mundo, até nas ilhas mais remotas... Quisera ser missionária não só por alguns anos, mas até a consumação dos séculos... Mas, acima de tudo, quisera, ó meu ama- do Salvador, por Ti derramar meu sangue até a última gota...” (Manuscritos, § 251).
Por suas ardentes orações e contínuos sacrifícios, pôs em obras esses anelos. E foi proclamada pelo Papa Pio XI, em 1927, padroeira principal de todos os missionários e das missões existentes em todo o mundo.
Vítima expiatória
Compreendendo que poderia realizar todos os seus imensos desejos de trabalhar pela salvação das almas e glorificação da Santa Igreja, e, sobretudo, de “viver num ato de perfeito Amor”, fez em 1895 o sublime ato de “oferecimento como vítima expiatória ao amor misericordioso de Deus”.
E a Divina Providência aceitou o oferecimento.
Na noite da Sexta-feira Santa de 1896, depois de ficar junto ao Santíssimo Sacramento até meia- noite, recolheu-se Santa Teresinha em sua cela. Mal colocou a cabeça no travesseiro, sentiu uma golfada de algo efervescente que lhe subia pela garganta e chegava aos lábios. Não sabia o que era, mas intuiu que fosse uma hemoptise. Seria tuberculose? De manhã, verificou que se confirmava sua suspeita: estava tuberculosa.
Uma alegria invadiu sua alma! Estava aceito o oferecimento... Sentia que Jesus, no dia de sua Paixão e morte, lhe dava o primeiro sinal de que logo a chamaria para junto d’Ele.
Passou um ano de muitas provações e sofrimentos. Sobretudo a prova da “noite escura da alma”, de que falam os autores místicos, a prova da Fé. Sua alma estava em completa aridez. Parecia que Deus a tinha abandonado. Mas nunca perdeu a tranquilidade e a alegria.
A 19 de agosto, comungou pela última vez. Um mês antes de sua morte, o sacerdote que a atendeu em confissão comentou, muito comovido, ao sair da enfermaria: “Que bela alma! Ao que parece, está confirmada em graça.”
Do Céu, Santa Teresinha cumpriu sua promessa de fazer o bem na terra. Poucos santos tiveram uma irradiação tão grande em tão pouco tempo. Como Moisés abriu o Mar Vermelho para a passagem do povo eleito, assim o Anjo do Carmelo abriu para as futuras gerações, tão débeis e necessitadas, uma esplendorosa estrada para o Céu!
A Igreja celebra sua festa no dia 1 de outubro. Por concessão da Santa Sé, os Arautos do Evangelho têm o privilégio de lucrar nesse dia uma Indulgência Plenária, observadas as condições de costume.
Revista Arautos do Evangelho, nº 22, outubro 2003



 





sábado, 28 de setembro de 2013

Receita para curar depressão

                                                                                                                                                                   Pe Edwaldo Marques, EP
Meu pai está deprimido”. “Minha tia está com depressão”. “Meu amigo está com o mesmo mal”. “Estou em tratamento médico pois sofro de forte depressão”. “Meu colega está com uma depressão tão forte que tentou o suicídio”.
Quem não ouviu alguma frase destas nos seus círculos familiares ou em outros ambientes? Cremos que bem poucos não terão ouvido.
Esse mal avança com a força de uma epidemia. E vai fazendo cada vez mais vítimas, sobretudo nos países considerados civilizados. O que era antes um “privilégio” da idade madura, foi pouco a pouco atingindo as gerações mais novas para finalmente chegar à infância.
Amitriptilina, nortriptilina, imipramina, mirtazapina, paroxetina, venlafaxina, sertralina, fluoxetina, clormipramina, entre outros, compõem a relação de anti-depressivos, aos quais dever-se-ia acrescentar uma enorme lista de tranqüilizantes que com eles constituem o grande arsenal anti-depressão. O arsenal cresce continuamente... a depressão também. Esses medicamentos resolvem o problema? Num certo número de casos, certamente, com a ajuda de aconselhamento médico, psicológico e outras medidas.
Cabe, porém, aqui uma pergunta: qual a causa mais profunda de tão grande mal?
A resposta não é simples. Muitas vezes essa enfermidade poderá ter raízes genéticas, orgânicas ou psicológicas que, uma vez diagnosticadas, poderão e deverão ter o tratamento adequado.
A nosso ver, a depressão, nuvem negra que vai cobrindo o mundo, tem como causa, na quase totalidade de suas vítimas, uma imensa crise de afeto, que por sua vez se origina no fato de que Deus vem sendo, paulatina e inexoravelmente, expulso da Terra. Onde não há amor de Deus, não pode haver verdadeiro amor ao próximo. A falta de afeto mútuo se instalou nas famílias, nas escolas, nos ambientes de trabalho, onde quer que seja.
Nos primeiros tempos da Igreja, causava nos pagãos extrema admiração — e serviu para converter multidões — o modo profundamente caridoso de os cristãos se tratarem uns aos outros. E esses pagãos exclamavam: “Vede como eles se amam”. Hoje em dia, quase se poderia substituir esta frase por outra: “vede como eles se desamam”.
O sentir-se objeto de afeto, de afeto verdadeiro, que tem seu fundamento em Deus, é algo absolutamente necessário para o equilíbrio do ser humano.
“Está certo”, dirá alguém deprimido que lê estas linhas, “mas para a solução do meu problema individual, onde buscar o remédio, agora, já, neste instante?”
É preciso amar a Deus, seguir os seus Mandamentos, recorrer à sua Santíssima Mãe. Porém, isto não basta. É preciso crer, no mais íntimo da alma, com convicção profunda, ainda que a sensibilidade nada nos diga, que Deus nos ama, e nos ama com amor infinito. É preciso crer da mesma maneira, sem nunca duvidar, ainda que seja em meio à maior aridez, que Maria, a manifestação mais sublime da misericórdia divina, nos ama com um amor insondável.
Ainda que ninguém nos amasse (o que provavelmente não é verdadeiro, pois o afeto, apesar de tudo, ainda não desapareceu totalmente do mundo), Deus nos ama, Maria nos ama.
O remédio que propomos é de uso interno e contínuo. Interno, no caso, quer dizer que deve atingir o mais fundo do coração. Justificando o título deste artigo, aqui vai a receita anunciada:
Uso interno:
Meu Jesus, eu vos amo com todas as forças de minha alma, e sei que sou infinitamente amado por Vós.
Maria, minha Mãe, eu vos amo com todas as forças de minha alma, e sei que sou insondavelmente amado por Vós.

Repetir três vezes, ao dia (manhã, tarde e noite) até o desaparecimento dos sintomas.

(Texto extraído da Revista Arautos do Evangelho 6, junho 2002) 

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Quero ser santa!

Se desejamos ir para o céu e estar na visão beatífica, temos de ser santos. E para isso, devemos rezar e pedir. Apresentamos abaixo uma bela oração composta pela Serva de Deus Madre Clélia Merloni, fundadora do Instituto das Apóstolas do Sagrado Coração de Jesus, pedindo a graça de ser santa.

Ó Maria, sendo esposa do Vosso Jesus, sou Vossa filha, portanto, guardai-me porque quero ser santa.
Sei que deverei amar a humildade, o esquecimento, a caridade, buscar em tudo o último lugar sempre, para submeter e aniquilar o meu orgulho. Mas não importa, estou decidida: quero ser santa.
Deverei amar o desprezo, nunca desculpar-me, nunca desanimar, mas nada importa, desde que eu consiga ser santa.
Deverei continuamente renegar-me, vencer-me em mil ocasiões, uma mais penosa que a outra... mas não importa: quero absolutamente ser santa.
Deverei praticar uma extrema caridade para com o próximo: amá-lo, suportá-lo e nunca lamentar-me quando ele for injusto para comigo, apesar de tudo, quero ser santa.
Sei também que deverei agir sempre com espírito de fé, de penitência, deverei fazer todas as minhas ações sob o olhar de Deus que me observa, deverei mortificar-me frequentemente e resistir a todas as minhas inclinações naturais. Mesmo assim, quero ser santa.
Deverei quebrar continuamente as repugnâncias da natureza, a atração dos prazeres, deverei amar o silêncio, o recolhimento, o retiro, o trabalho, sem cansar, nem desanimar. Apesar disso, quero ser santa.
Deverei esforçar-me na capela para ser fervorosa na oração, cuidar para não me distrair, dar bom exemplo com meu comportamento, recolhimento e, ainda que me custe muito, quero fazer cada coisa para ser santa.
Nas dores, na doença, no tédio, nas acusações injustas, nas contrariedades cotidianas, não deverei lamentar-me, nem murmurar. Quero ser santa.
O demônio me atormentará com desgosto, com tédio, com tentações. Nada importa, porém, porque quero ser santa a qualquer preço.
Como poderei tornar-me santa? Fazendo o melhor que posso as ações que me serão impostas, cada dia. Muitos santos, já no Paraíso, não fizeram nada mais do que aquilo que faço eu aqui: oração, meditação, exatidão nos atos comuns, submissão em espírito de fé a qualquer sacrifício permitido por Deus todos os dias...
Qualquer ação que fizer, quero fazê-la como se Deus estivesse presente, me olhasse e sorrisse diante de meus esforços. Quero fazê-la como se fosse ajudada por meu Anjo da Guarda que tem, para isto, uma missão especial e que apenas espera o meu pedido.
Quero fazer cada ação como se nada tivesse de fazer além daquilo que me é pedido pela obediência, naquela hora, e não a deixarei enquanto não a realizar com toda a perfeição que me é possível.
Quero fazer cada uma delas como se depois a devesse oferecer em homenagem a Deus e à Virgem Santíssima. Deus, sem dúvida, espera ser louvado com esta ação. Deus uniu uma graça particular a esta ação. Ele reconhecerá que O amo se, apesar do tédio, continuo para acabar minha tarefa.
Deus faz escrever cada uma de minhas ações bem-feitas, e mais tarde elas formarão minha coroa no Céu. Deus apaga muitos dos meus pecados passados, se, para ajudá-Lo, esforço-me em fazer bem tal ação.
Deus recebe de mim, Sua pobre filha, uma glória que O compensa das blasfêmias dos maus e da revolta das almas que não querem se submeter à Sua divina vontade.
Oh! Sim, meu Deus, quero fazer sempre bem todas as minhas ações!
(Retirado de No Santuário do Coração – Coletânea de Orações da Venerada Madre Clélia Merloni. Roma: Apóstolas do Sagrado Coração de Jesus, 1987, p. 19-26) ( Revista Arautos n.100)

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Talentos

Despertando nos jovens suas capacidades e talentos, os Arautos do Evangelho buscam oferecer o elemento característico da Educação Católica que “no espírito evangélico de liberdade e de caridade ajuda os adolescentes a desenvolverem a sua personalidade, e a ordenar toda a cultura humana à mensagem da salvação, de tal modo que os conhecimentos adquiridos a respeito do mundo, da vida e do homem sejam iluminados pela Fé”. (Declaração Gravissimum educationis, 8)
Dando prosseguimento ao Projeto Futuro e Vida realizado nas escolas, nos fins de semana são promovidos, no centro juvenil dos arautos,  cursos gratuitos de pintura e fantoches para aquelas que desejam desenvolver seus talentos artísticos.





















































Ao longo de sua História, a Igreja tem produzido inúmeros talentos artísticos, com estilos e realizações tão diversos quanto belos e enriquecedores para a piedade cristã, como vemos, por exemplo,  nas obras do bem-aventurado Fra Angélico. Quem pode saber sobre o futuro dessas jovens ...





terça-feira, 17 de setembro de 2013

A Mediação de Nossa Senhora

Continuação do Curso para os pais 
São Luís Maria Grignion de Montfort, sacerdote e missionário francês, empreendeu seu apostolado no começo do século XVIII, às vésperas da grave crise religiosa desencadeada pela Revolução Francesa. Foi um ardoroso devoto de Nossa Senhora e escreveu várias obras, entre elas “O Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem”. 
Qual o motivo que o levou a escrever esse livro? Ele mesmo o explica: “Meu coração ditou tudo o que acabo de escrever com especial alegria, para demonstrar que Maria Santíssima tem sido, até aqui, desconhecida, e que é esta uma das razões por que Jesus Cristo não é conhecido como deve ser”.
Quando São Luís morreu em 1716, o livro sumiu. Somente após o término dos conturbados dias  da Revolução Francesa, em 1832 encontraram dentro de um baú da congregação o livro. São Luís já havia profetizado que monstros horrendos iriam esconder o livro dele e que ficaria no fundo de um baú, mas ele se alegrava porque assim ficava patente a importância dele e o bem que ele faria às pessoas.
Uma coisa que ele sublinha muito é a devoção à Nossa Senhora. Mas, porque devemos ter tanta devoção a Ela?
Imagem de Nossa
Senhora, esculpida por
São Luís Grignion
Afirma São Luís que “foi por intermédio da Santíssima Virgem Maria que Jesus Cristo veio ao mundo”, isto é, se Maria Santíssima não tivesse existido, Jesus Cristo não teria vindo; “e é também por meio d’Ela que Ele deve reinar no mundo”, ou seja, a devoção a Jesus Cristo deve expandir-se a toda a humanidade por intermédio de Maria Santíssima. Deus quis associá-la a toda a Redenção. A graça depende de Deus, mas apesar disso Deus, por um ato livre da Sua vontade, quis fazer depender de Nossa Senhora a distribuição das graças. Maria é a Medianeira Universal, é o canal através do qual passam todas as graças.
Vários Papas afirmaram que tal é a grandeza de Nossa senhora perante Deus, que se uma pessoa que necessita de algo não recorre a Ela, é a mesma coisa que querer voar sem asas. No tratado, São Luís afirma que quem não tem Maria por mãe, também não tem Deus por Pai.
Foi contada a história (teatro) de uma mendiga que tocava o seu violino desafinado para conseguir esmola, mas todas as pessoas da aldeia não a ajudavam. Então, uma conceituada violinista compadeceu-se da mendiga e combinou com ela que tocaria escondida atrás das árvores enquanto a pobre mulher fingia estar tocando. Depois dessa "encenação" todo o povo ficou agradado e decidiu dar esmolas para a pobre mulher.
Da mesma maneira Nossa Senhora age conosco em relação a Deus. Ela recebe nossos pedidos, mesmo que sejam os mais desafinados, e os mostra a Deus. Entretanto, sendo Ela que pede aos olhos de Deus, soam como uma das mais belas melodias, alcançando assim o que necessitamos.
Por isso, sempre que necessitarmos de algo recorramos a Maria Santíssima, Medianeira de todas as graças.

sábado, 14 de setembro de 2013

Festa da Exaltação da Santa Cruz

Qual a mensagem encontrada na festa da Exaltação da Santa Cruz? Do latim exaltere, significa tornar-se alto, elevar-se, subir. Esta é “a festa pela qual a Igreja recorda e proclama aos olhos do mundo que ela ergue o símbolo da Redenção acima de todas as coisas, colocando-o na sua devida e suprema altura”.
A cruz, originalmente, era um instrumento de suplício usado em toda a antiguidade, que representava a ignomínia e a vergonha para toda pessoa que sofresse a pena da crucifixão. Por isso, ao ser pregado na cruz, Nosso Senhor Jesus Cristo sofreu tremenda humilhação. Esta equivalia a dizer que Ele morria como um bandido, um ladrão.
Sendo ela o ápice da humilhação sofrida por Ele, é também o começo de todos os desprezos que até o fim do mundo todos os católicos haveriam de suportar em nome do Filho de Deus e por causa de sua fidelidade a Ele.
Contudo, as cruzes que por Ele carregamos consiste em recebermos a humilhação com regozijo, com um espírito de desafio. O que corresponde inteiramente à ideia de exaltação: manifestar a glória da Cruz.
A Cruz é um sinal de distinção, como símbolo de tudo quanto há de mais sagrado e santo. E ao colocá-la no alto de todas as coisas – nas torres das igrejas e catedrais; no topo das coroas de reis e imperadores, servindo de insígnia nas condecorações – manifestava-se a fé do cristão. Enfim, em tudo quanto o homem concebia de supremo, estava a Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo, trazendo consigo a ideia de que, entre todas as maravilhas por Ele operadas neste mundo, o mais admirável e o mais adorável era o ter sofrido e morrido naquele instrumento de vergonha.

Quem desejar encontrar a paz de alma, não encontrará outro caminho senão este, uma vez que “Deus não cessa de atrair o homem para Si e só em Deus é que o homem encontra a verdade e a felicidade que procura sem descanso” (Catecismo da Igreja Católica, I.27).

Texto adaptado da Revista Dr Plinio nº 30

terça-feira, 10 de setembro de 2013

A intervenção de Nossa Senhora

Aos lermos as Sagradas Escrituras deparamo-nos com a primeira intervenção de Nossa Senhora nas bodas de Caná.
Nela vemos que Nossa Senhora intercedeu pelo casal que acabava de contrair núpcias para que não faltasse o vinho, pedindo a seu Filho, Jesus, que fizesse um milagre. Apesar de seu Filho alegar que não havia chegado a hora, realizou o pedido de sua Mãe.
Mas sua intervenção não foi apenas enquanto estava entre os homens, Ela enquanto Mãe compassiva continua no céu a ajudar a todos aqueles que a invocam.
Esse foi o tema abordado no curso para os pais das jovens que frequentam o Centro Juvenil do setor feminino dos Arautos do Evangelho em Curitiba. Para ilustrar, foi contada, através de uma encenação teatral, a história de três amigas recém-formadas que decidiram, durante a festa de formatura, a melhor maneira para gozar a vida: fazer uma viagem à Suíça para descansarem e passearem pelas montanhas eternamente nevadas. 

Efetuaram a viagem, gozando a vida em festas, comidas... até empreenderem uma caminhada rumo às montanhas nevadas.
Quando estavam chegando ao topo da montanha, levantou-se subitamente furiosa tempestade, e no meio dos trovões e relâmpagos ouviram elas uma voz que clamava: “Mata! Mata!” No mesmo instante o raio cortou o ar e feriu aquela que nunca tinha feito uma oração em sua vida. Um segundo raio caiu e matou a segunda amiga. A terceira apavorada, prosseguiu o caminho buscando um refúgio, quando ouviu novamente a mesma voz, que repetia. “Mata! Mata!” A pobre jovem nada mais esperava senão a morte quando lembrou-se de recorrer a Maria Santíssima, rezando um Memorare. Caiu outro raio, seguido da voz de Deus que perguntava porque o anjo não matava a última jovem, e o anjo respondeu: “Não posso, pois Maria Santíssima me impede de fazê-lo”. Nossa Senhora havia protegido Celine por causa de sua oração.
Saindo da Suíça, Celine decidiu tornar-se uma religiosa.

O fato narrado ajudou a todos a compreender como Nossa Senhora intervém para o nosso bem, apesar de parecer que tudo está perdido e terminado.

Não deixem de ler a continuação do curso nos próximos posts.



sábado, 7 de setembro de 2013

Nossa Senhora da Luz, a Padroeira de Curitiba (Continuação)

Uma devoção floresce pelo mundo
Atravessando os mares, a devoção a Nossa Senhora da Luz estendeu-se pelo mundo inteiro, frutificando em graças prodigiosas, de modo especial nos lugares colonizados pelos portugueses. São muitos os milagres a Ela atribuídos, e não seria demasiado aqui citar mais um.
A imagem original,
milagrosa, de
Nossa Senhora da
Luz, conserva-se no
Museu Paranaense
Por volta de 1650, existia num povoado de colonos do sul do Brasil uma capela dedicada à Senhora da Luz, localizada perto de um rio chamado Atuba. Seus habitantes andavam muito perplexos, pois todas as manhãs a imagem da Virgem aparecia com a face voltada para uma região de muitos pinheiros — curytiba, em idioma tupi — onde viviam os ferozes índios tingui. Resolveram então desbravar aquela área, e para lá se dirigiram, dispostos a enfrentar um eventual ataque dos indígenas.
Ao aproximarem-se, qual não foi sua surpresa quando Tindiquera, o cacique da tribo, adiantou-se sorrindo e os acolheu calorosamente. Era, sem dúvida, uma milagrosa ação pacificadora da Virgem. Tornando-se amigo dos colonos, o chefe índio não só lhes cedeu o terreno que pretendiam, mas indicou-lhes o melhor lugar, fincando sua lança no solo; os colonos ali a deixaram, em sinal de respeito e amizade. Ao chegar a primavera, a lança do amistoso cacique floriu. Não eram necessários mais sinais. Ali mesmo, sob o amparo da protetora imagem, fundaram uma nova vila cujo nome, como era comum nessa época, mesclava palavras portuguesas e indígenas: Nossa Senhora da Luz dos Pinhais de Curytiba.
Nesse mesmo local ergue-se hoje uma imponente catedral neo-gótica, testemunho da ação ao mesmo tempo pacificadora e luminosa da Mãe de Deus.

A admirável invocação de Nossa Senhora da Luz é um contínuo convite a todos nós para cada vez mais amarmos e seguirmos o seu Divino Filho, o qual de Si mesmo afirmou: “Eu sou a luz do mundo; aquele que Me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida” (Jo 8, 12).


sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Nossa Senhora da Luz, a Padroeira de Curitiba

No dia 8 de Setembro, comemora-se a padroeira da Cidade de Curitiba: Nossa Senhora da Luz dos Pinhas de Curitiba. Escutamos muitas vezes essa invocação, mas será que todos conhecem sua história? 
Narraremos a seguir como surgiu essa invocação.
Postado à entrada do grandioso Templo de Jerusalém, o velho Simeão aguardou durante toda a sua vida o momento no qual poderia ver com seus próprios olhos o Messias tão esperado. Sua fé por fim foi premiada, e no feliz dia em que pôde ter em seus braços o Divino Menino Jesus, voltou a face aos céus e proclamou agradecido: “Os meus olhos viram a vossa salvação (...) luz para iluminar as nações, e para a glória de vosso povo Israel” (Lc 2, 30-32).
O venerável ancião falava com toda a propriedade. O Messias possuía em Si essa sobrenatural e magnífica Luz cujos raios haveriam de penetrar os confins de toda a terra, conquistando as nações, expulsando os demônios, e por fim abrindo aos homens as portas dos Céus.
E que se poderia dizer da Mulher escolhida por Deus para trazer ao mundo tal Luz? Séculos  antes, Ela havia sido anunciada pelo grande profeta Isaías: “Eis que uma Virgem conceberá e dará à luz um filho, que se chamará Emanuel, cujo significado é: Deus conosco” (Is 7,14; Mt 4,16).
Sendo a portadora desta Luz de valor infinito, com muita razão os homens, nos séculos vindouros, A venerariam sob a bela invocação de Nossa Senhora da Luz. E foi sobretudo no Portugal do século XV que essa devoção floresceu e dali se difundiu para além-mar.
 A protetora de um pobre cativo
Pedro Martins, simples agricultor da pequena vila portuguesa de Carnide, levava uma existência tranquila com sua esposa. Mas eram turbulentos os tempos em que viviam. As crônicas não relatam exatamente como, mas ele teve o infortúnio de cair prisioneiro dos mouros da África.
Do ambiente de afeto de sua família, caiu na desgraçada condição de escravo, sujeito a um regime sem compaixão de trabalhos pesados, sob clima atroz e, sobretudo, privado por completo do conforto da religião cristã. Passavam-se os anos, e nenhuma esperança humana restava ao infeliz cativo. Vendo-se de tal modo desamparado pelos homens, Pedro Martins se voltou então, com mais intensidade do que nunca, para Deus.
Numa noite, isolado em sua cela, resolveu rezar com mais fervor e fé.  Após horas de oração, vencido pelo sono, adormeceu. Então apareceu-lhe em sonho uma Senhora cheia de luz, a qual lhe prometeu voltar mais vezes para consolá-lo e, após sua última visita, fazê-lo voltar para Carnide. Acrescentou que, lá chegando, ele deveria procurar algo que pertencia a Ela e fora escondido perto de uma fonte. Deu-lhe também a incumbência de ali edificar uma capela, cuja localização exata Ela lhe indicaria por meio de uma luz.
Trinta noites consecutivas passou ele consolado pela própria Mãe de Deus! As dores sofridas durante o dia se desvaneciam pela luz e a suavidade das horas passadas aos pés de Maria. No entanto, ele continuava cativo. Ao despertar da trigésima noite, oh surpresa! De modo milagroso e inesperado, estava ele de volta em sua boa aldeia. Tomado de emoção, encontrou-se com os seus entes amados, os quais muito se admiravam por vê-lo salvo.
Mas ele não se esqueceu do pedido da Virgem, e logo se pôs a procurar aquilo que, segundo a indicação d’Ela, tinha sido escondido “perto de uma fonte”. Na verdade, num local chamado Fonte do Machado, há tempos uma luz misteriosa andava aparecendo, e de toda parte vinha gente curiosa para ver tal fenômeno. Decidiu então Pedro ir à noite, acompanhado de um primo, para ali fazer a busca. Realmente, ao chegar à fonte avistaram uma luz a se mover diante deles. Seguiram-na até um matagal, e ela parou sobre umas pedras. Eles não pensaram duas vezes. Retiraram as pedras e com encanto se depararam com uma lindíssima imagem de Nossa Senhora. A notícia dessa milagrosa descoberta correu por todo o país, e naquele mesmo ano — 1463 — deu-se início à construção de uma capela, conforme fora ordenado pela Santíssima Virgem.
Anos mais tarde, ela seria substituída por uma magnífica igreja.

Mas, e em Curitiba, como e quando começou a devoção a Nossa Senhora da Luz? 
Leiam no próximo post…

Projeto Futuro e Vida - Escola Estadual Ângelo Trevisan

O Papa Francisco ao encontrar-se com um grupo da Diocese de Piacenza-Bobbio afirmou que os jovens são os artesãos do futuro pelo fato de existirem dentro deles três desejos: da beleza, da bondade e da verdade. Essa verdade é um encontro com a Verdade que é Deus, mas é preciso procurá-la.
No seu esforço de transmitir à juventude uma mensagem de beleza para alcançar a Verdade, os Arautos do Evangelho, entre outras atividades, promovem o Projeto Futuro e Vida, percorrendo instituições de ensino e realizando, apresentações musicais ou encenações teatrais que espelham valores culturais e humanos. Os jovens mais interessados inscrevem-se para dar continuidade a essas atividades nos centros de formação dos Arautos, onde são oferecidos cursos de preparação para os sacramentos, bem como aulas de música, teatro e outras artes.

O trabalho dos missionários não pretende substituir, mas sim auxiliar, os esforços dispensados pelos pais e mestres dos jovens em prol de sua formação.
 
O Projeto Futuro e Vida na Escola Estadual Ângelo Trevisan