Páginas

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Palácio de ricos e pobres

Pe Francisco Teixeira de Araújo, EP
Qual a finalidade de uma igreja? Ora, dirá alguém, pergunta banal, fácil de responder: a igreja é por excelência o lugar onde se presta culto a Deus. Desde tempos imemoriais, sempre foi essa sua finalidade. Os pagãos, na antiguidade, multiplicaram os templos para abrigar seus incontáveis deuses. Romanos, gregos, fenícios, babilônios, assírios, egípcios, enfim pode-se dizer que quase todos os povos construíram templos para suas divindades, tão variadas quanto falsas.
Salomão, rei dos judeus, construiu uma das maravilhas do mundo antigo, o templo de Jerusalém, dedicado ao único e verdadeiro Deus.
Após a vinda de Nosso Senhor, quando os cristãos obtiveram liberdade de ação, começaram a construir edifícios próprios para o culto. De início, muito modestos, chegaram depois à magnificência das catedrais góticas medievais.
Mas, embora o templo seja principalmente o local onde se presta de forma adequada culto a Deus, não é esta, entretanto, sua única finalidade.
A Santa Igreja é mãe dadivosa. Ao inspirar os construtores das igrejas, não tem ela em vista apenas atender às necessidades do culto divino. Ela toma em consideração também as necessidades de alma dos seus filhos. Por este motivo, os bons templos católicos — sejam eles suntuosos ou modestos — são sempre acolhedores, propiciando a todos quantos neles entram aquela atmosfera de refrigério, de luz e de paz, que lhes facilita “conversar” com Deus, Maria, os Anjos e os Santos, formulando preces ou simplesmente ouvindo a voz maravilhosa da graça no fundo dos seus corações.

Uma vez ouvi dizer que igreja é o palácio dos pobres. A afirmação é verdadeira, porém incompleta, pois ela é o palácio de todos: ricos e pobres, poderosos e humildes, sãos e doentes, santos e pecadores. Não há quem não encontre em seu ambiente acolhedor o alívio que procura. 

Texto extraído da Revista Arautos do Evangelho n.18. jun.2003


sábado, 26 de outubro de 2013

Diário de um penitente

Louis Veuillot, jornalista católico francês do século XIX, escreveu um livro intitulado “Parfum de Rome” - O Perfume de Roma, onde reuniu notas sobre uma de suas viagens à Cidade Eterna.
Nessa obra encontra-se o seguinte trecho - um inusitado diário de um penitente - que nos mostra quão importante é termos uma vida cheia de piedade e de confiança na bondade de Nossa Senhora e de seu Divino Filho.
Num quarteirão deserto, nos muros de uma igreja, Enrico [é o próprio Veuillot], copiou e traduziu para mim as inscrições seguintes, traçadas a lápis por uma mão firme e exercitada [portanto, é um anônimo que escrevia isto]: ‘No dia 14 de setembro eu me encontro com má saúde por minha culpa, pela inquietação e pela desobediência. A partir deste momento, onze horas da manhã, decidi, com a ajuda de Deus e de Maria Santíssima, não mais me atormentar, e recuperar a verdadeira paz. São José, rogai por nós. Um mês depois: 14 de outubro. Até este momento ainda não consegui, ou melhor, não obtive o que escrevi no dia 14 de setembro, mas agora decidi fazer tudo.”
Em nossa vida espiritual geralmente acontece de tomarmos uma decisão e nos convertemos. Após um tempo verificamos que quase nada progredimos. Em vez de desanimar à vista de nossa fraqueza, devemos confiar na misericórdia de Deus, perseverando na oração para cumprirmos todos os propósitos estabelecidos anteriormente.
Dia 15 de novembro: renovo tudo aquilo que prometi, a fim de chegar a executá-lo. Dia 23 de novembro: falhei, mas prometi a mim mesmo, com toda a alma, de executar. Dia 28 de novembro: decidi ser bom. Dia 31 de dezembro: quero obedecer sempre, para agradar Maria Santíssima até a morte. 28 de janeiro: não há mais inquietação, por amor a Maria Santíssima, e renovo hoje aquilo que tinha deliberado no dia 1º de janeiro. Dia 1º de março: Não. As inquietações cessaram. Dia 29 de março: Não mais me atormentar, não mais pecar.
Nas duas últimas datas, a inscrição está rodeada de um desenho que representa duas palmas formando uma cruz. Devo confessar que estas declarações, feitas ingenuamente por uma alma provada e enfim vitoriosa, não me tocaram menos do que se eu as tivesse lido nas catacumbas, das quais elas parecem ter o perfume...”
É muito bonito o comentário de Veuillot, pois trata-se de uma alma que em diversas oportunidades firmou boas resoluções, sem conseguir mantê-las. Em seguida, renovava os bons propósitos e tinha novas quedas. Afinal, à força de rezar obtém o que tanto almejava. Depois de muito tempo e de vários insucessos, conquistou a vitória na sua vida espiritual.

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Assisti à Santa Missa?

Além dos favores que solicitamos na Santa Missa, Deus nos concede muitos outros sem que o peçamos.

É o que ensina claramente São Jerônimo: “Sem dúvida alguma, o Senhor nos dá todas as graças que pedimos na Santa Missa, contanto que nos sejam de vantagem; mas, o que é mais admirável, muitas vezes nos dá o que não pedimos.”

E muito mais, ajunta São Bernardo, se ganha assistindo a uma única Santa Missa (se considerar seu valor intrínseco), do que distribuindo a fortuna aos pobres e peregrinando a todos os santuários mais famosos da Terra.

Que sucederia, no entanto, se fossemos à Santa Missa para conversar, por curiosidade ou para ter distrações voluntárias. Teríamos realmente assistido à Missa? 
Foi o que sucedeu a uma camponesa, que morava em uma aldeia pouco afastada da Igreja.
Querendo alcançar uma graça importante, ela prometeu assistir à Santa Missa durante um ano. Com esta intenção, todas as vezes que ouvia repicar o sino anunciando a Santa Missa, em alguma Igreja dos arredores, largava imediatamente seu trabalho e punha-se a caminho sem atender sequer às inclemências do tempo. De volta a casa, para não perder a conta das Santas Missas assistidas, que tencionava completar exatamente conforme se impusera, depositava cada vez uma fava em uma caixa cuidadosamente guardada. Passou-se o ano, e ela, certa de ter cumprido a promessa e alcançado muitos méritos, foi abrir a caixa. Ora, de tantas favas que ajuntara, só encontrou uma. Surpreendida e consternada, invadiu-a um grande pesar, e dirigiu-se a Deus, dizendo-lhe lacrimosa: Ó Senhor, como é possível que, de tantas Santas Missas que participei, só uma se encontre de sobra? Nunca faltei, a despeito do esforço a fazer, do mau tempo, da chuva, do frio e do caminho ruim!
Deus então lhe inspirou a ideia de contar sua infelicidade a um piedoso sacerdote muito prudente.
Este lhe perguntou de que modo ia ela à igreja, e com que devoção assistia ao santo Sacrifício.
Então ela disse-lhe que, no caminho só falava de negócios ou de diversões e passava o tempo dos divinos Mistérios a tagarelar com um e outro, tendo o espírito ocupado exclusivamente com sua casa e seus campos. “Aí está, lhe disse o padre, o motivo de nada restar dessas Missas. A tagarelice, a curiosidade, as distrações voluntárias vos roubaram todo o mérito. Satanás vo-lo roubou. Por isso vosso Anjo fez desaparecer as favas, para vos mostrar que as obras mal feitas, ficam perdidas. Dai graças a Deus porque, pelo menos, uma das Santas Missas, foi bem assistida e vos trouxe frutos.”1

Quem sabe, de tantas Missas a que temos assistido durante a vida, quantas foram agradáveis a Deus? 
1 Leonardo de Porto Mauricio.  As excelências da Santa Missa

domingo, 20 de outubro de 2013

O eco da voz de Deus

Pe. Pedro Morazzani Arráiz, EP
Servem os sinos apenas para chamar os fiéis à casa do Senhor? Utilizados inicialmente só com esta finalidade prática, eles acabaram se convertendo em sinal e veículo de graças. Sua bênção é, hoje em dia, um sacramental.
No início do século V, um varão de Deus, São Paulino, bispo de Nola, teve a inspirada ideia de utilizar sinos para chamar ao serviço divino os fiéis de sua diocese. Surgiram assim as palavras sino e campana, originadas de signum campanum (sinal da Campânia, região da Itália onde se encontra a cidade de Nola).
Ávidos de símbolos e cerimônias que sacralizassem a dura vida quotidiana, os católicos instalaram sinos em todas as igrejas e mosteiros da Europa. O Papa Sabiniano, que ocupou o Trono de São Pedro de 604 a 606, decretou ser necessário o seu uso em todas as paróquias da Cristandade.
Não muito depois de ecoarem seus sons pelos ares do mundo cristão, os sinos tornaram-se inseparáveis símbolos das graças obtidas pelos fiéis no interior dos templos. Esta talvez seja uma das razões do aparecimento do costume, que até hoje perdura, de benzer os sinos antes de erguê-los ao alto das torres. Mãe sempre solícita, a Igreja constituiu em sacramental esta bênção (cfr. CIC, 1672), tornando o badalar dos sinos um veículo de graças para o povo de Deus, atraindo os anjos, afugentando os espíritos malignos, transmitindo seus próprios sentimentos quando ela suplica ou agradece, quando chora ou se rejubila.
No bronze de muitos sinos, pode-se ver uma singela inscrição latina que bem resume as mais importantes funções a eles conferidas pela Igreja:
Laudo Deum verum, plebem voco, congrego clerum, defunctos ploro, nimbum fugo, festas decoro. — Louvo o Deus verdadeiro, convoco o povo, congrego o clero, choro os defuntos, dissipo as tempestades, dou brilho às festas.”
Suspensos entre o céu e a terra, no alto dos campanários, onde não os alcança a agitação do mundo, são os sinos uma permanente imagem da vocação de todos os verdadeiros discípulos do Divino Mestre: sempre voltados para a contemplação de Deus e considerando os vaivéns do acontecer humano desde os mais altos píncaros da Fé, atraindo infatigavelmente os homens para a verdadeira Religião e proclamando sem cessar a glória infinita de Deus, nosso Senhor.
Por isso, tocam os sinos para a quotidiana reza do Ângelus e ressoam durante a solene bênção do Santíssimo Sacramento; repicam com júbilo ao ser entoado o Glória nas principais festas, e logo após a Consagração, ao ser elevada a Sagrada Hóstia, segundo o costume instituído pelo Papa Gregório IX, em 1240.
Mas não só nos momentos de alegria seus sons se fazem ouvir. Durante o transe supremo da agonia, quando o destino eterno de uma alma se decide, eles tangem lentamente, avisando a comunidade que um fiel trava nesta Terra seu último combate, implorando assim a todos que orem pela salvação de um irmão.
                                                                           * * *
Som dos sinos, apelo da Igreja, eco sagrado da voz do próprio Deus!
Voz às vezes grave e severa, com freqüência jubilosa e maternal, sempre atraente, majestosa e cheia de paz.
Bem-aventurados os povos cujas horas, dias e anos transcorrem marcados pelo sacral som dos sinos das igrejas! Se eles não fecham seus corações a esta voz e, pelo contrário, pulsam em uníssono com o ressoar dos sinos, terão um mesmo sentir com a Santa Igreja de Deus: alegrar-se-ão com ela nos dias de pompa e de glória; contritos e humildes permanecerão nas épocas de penitência e de dor; cheios de confiança aguardarão durante os períodos de espera e, finalmente, cruzarão os umbrais da eternidade carregados nos braços desta Mãe amorosíssima, a Santa Igreja Católica Apostólica e Romana.
Revista Arautos do Evangelho n.20 ago 2003

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Feira do Conhecimento


"O conhecimento no homem deve nascer e se desenvolver, não apenas com o exercício da sua capacidade intelectiva, como também a partir da contemplação e compreensão dos incontáveis reflexos de Deus esparsos na Terra, entre os quais ocupa papel primordial o próprio homem e sua ação de presença".1

Foi realizada, na Escola Arautos do Evangelho Curitiba, uma feira do Conhecimento onde as alunas puderam demonstrar aos seus pais e conhecidos os ensinamentos aprofundados durante estes meses. As alunas e professoras das várias disciplinas realizaram diversos trabalhos desde a boa alimentação até a importância do exercício físico para a sociedade. Com estas apresentações pais e alunos aprenderam como melhor contribuir para a comunidade bem como para o mundo em que vivemos.

1 Plinio Correa de Oliveira
 

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

As setes Moradas

Ir Maria Cecília Seraidarian

Santa Teresa de Jesus explica de modo excelente as fases da vida cristã rumo à santidade, baseando-se nos graus de oração. Ela compara a alma a um castelo e os diversos graus da vida espiritual, aos aposentos desse castelo: “consideremos nossa alma como um castelo, feito de um só diamante ou de limpidíssimo cristal. Neste castelo existem muitos aposentos, assim como no céu há muitas moradas”1.
  Ela divide o desenvolvimento da vida espiritual em sete moradas:
    1. Primeiras Moradas – considera a beleza de uma alma em estado de graça e lamenta aquelas almas que jamais entram no castelo, ficam ao redor dele, obstinadas no pecado. Afirma ainda que a porta de entrada desse castelo é a oração. Trata da hediondez de uma alma em estado de pecado mortal e da importância da humildade e do conhecimento de si mesmo, através do conhecimento de Deus. Adverte também sobre as artimanhas do demônio para impedir que as almas progridam dessas primeiras moradas para as seguintes. Nesse estágio, as almas desejam não ofender a Deus e praticar boas obras, no entanto, estão ainda absorvidas pelo mundo.
    2. Segundas Moradas – aqui as almas já se preocupam em servir a Deus, fogem das distrações fúteis e buscam uma vida de oração e recolhimento, embora com muitas quedas e falhas. Têm aversão ao pecado mortal, porém, pouco cuidado em evitar as ocasiões. Sofrem por sentirem cada vez mais claro o chamado de Deus e não terem ânimo suficiente para se entregarem inteiramente. Nesta fase, a Santa encoraja-as a não desanimarem diante dos ataques do demônio mas serem humildes e se confiarem à Misericórdia Divina, a fim de perseverarem.
    3. Terceiras Moradas – nestas moradas as almas passam a ter mais oração e recolhimento, evitam os pecados veniais e fazem penitência. Quando são provadas pelo Senhor com securas e aridezes, desanimam porque ainda são débeis. Aconselha a estas almas a fuga das ocasiões e a perseverança na humildade e na oração, sem fazer caso de provações ou de consolações.
    4. Quartas Moradas – é nesta etapa que ocorre a transição da ascética para a mística. As tentações trazem benefícios e são ocasião de mérito. Tem-se o início das orações contemplativas. Santa Teresa ressalta a importância de crescer no amor, condição para progredir às moradas seguintes.
    5. Quintas Moradas – a Santa Doutora descreve longamente a união da alma com Deus na oração contemplativa. A experiência mística é intensificada e aumentam as purificações passivas. As almas experimentam grande amor ao próximo e têm necessidade de muita vigilância para não cair nas sutilezas do demônio.
    6. Sextas Moradas – nesta fase as almas recebem grandes favores e padecem terríveis provações; Deus opera maravilhas naqueles que alcançam estas moradas. O amor a Deus é levado até o esquecimento de si mesmo. Os fenômenos místicos se multiplicam. As almas têm desejo de unir-se intimamente a seu Senhor, abandonando esta vida.
    7. Sétimas Moradas – Perfeição – dá-se o “matrimônio espiritual”, a união transformante em que a alma se faz uma com Deus, sente em si a inabitação da Santíssima Trindade. As almas atingem um estado de paz e tranqüilidade inalteráveis, preocupam-se unicamente com a glória de Deus.
Diante dessa impressionante descrição de Santa Teresa de Jesus, um dos luminares da mística experimental, percebe-se quanto o caminho rumo à perfeição é longo, árduo e doloroso uma vez que é preciso arrancar da alma todo o apego às coisas terrenas e, o que mais custa, o apego a si mesmo para poder seguir a Nosso Senhor Jesus Cristo (Lc 9, 23): “se alguém quer vir após mim, renegue-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz e siga-me” (BÍBLIA SAGRADA, 1996). Sem um constante auxílio de Deus, que com sua graça atrai as almas, sustenta-as e faz avançar nas vias da santidade, não seria possível ao homem chegar à perfeição por suas próprias forças.
1 Santa Teresa de Jesus. Castelo interior ou moradas. 11. ed. São Paulo: Paulus, 2003.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

ONDE ESTÁ O TESOURO?

Esta era a pergunta que as participantes do Projeto Futuro e Vida faziam durante a programação do fim de semana, no Parque Tingui em Curitiba, uma caça ao tesouro. Enquanto desvendavam as pistas, contemplavam as belezas naturais do parque, bem como seus monumentos ucranianos.
Tingui era o nome da tribo indígena que habitava na região na época da colonização portuguesa e ajudou muito os colonizadores. Em 1995, em homenagem ao centenário da chegada dos imigrantes ucranianos em Curitiba, foi inaugurado o Memorial Ucraniano composto por uma réplica da igreja de São Miguel Arcanjo , uma casa típica, palco ao ar livre e o portal. Todas as construções são feitas em madeira, ao estilo ucraniano.
Após uma árdua procura, o tesouro foi encontrado!  No final, as participantes não sabiam se haviam gostado mais da aventura ou do delicioso  conteúdo do tesouro.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Eucaristia no Hospital São Vicente

No dia 25 de setembro, Quarta-feira, os Arautos do Evangelho setor feminino cantaram na missa, no Hospital São Vicente, de Curitiba – PR, presidida pelo Bispo auxiliar, Dom José Mário, em honra ao santo patrono São Vicente de Paulo. No final da missa o Bispo recebeu um exemplar do livro Inédito dos Evangelhos, escrito pelo fundador dos Arautos, Mons. João Clá Dias. 







 































Quem foi São Vicente de Paulo?
Um santo homem que exerceu múltiplas funções: Obras de Caridade, Diretor de uma Ordem Religiosa que estava apenas saindo das mãos de seu grande fundador, São Francisco de Sales; por outro lado, lutador contra as heresias de seu tempo e chefe de cruzados.
Um homem que era capaz de tratar com a rainha e com os prisioneiros de galés; tratar de doentes e armar um exército. Vejamos sua biografia.
Vicente nasceu de pais pobres em Pay, na Landae, França, no dia 24 de abril de 1581.
Desde criança guardou os rebanhos de seu pai. Mas sua viva inteligência fez com que sua família o mandasse estudar entre os cordelliers de Dax.
Foi depois para Toulouse a fim de conseguir grau de Doutor e, em 1600, ordenou-se sacerdote. Após ter sido cativo em Tunis, em 1616 foi incluído no corpo de capelães da Rainha Margarida de Valois. Durante algum tempo, foi cura de Clichy e de Chatillon-les-Dombes.
Nomeado grão-capelão das galeras da França pelo rei, com um zelo maravilhoso, trabalhou pela salvação dos oficiais e dos remadores.
Indicado por São Francisco de Sales para o governo das religiosas da Visitação, cumpriu essa missão durante 40 anos com tal prudência que justificou plenamente o julgamento do santo prelado, o qual declarou não conhecer padre mais digno do que Vicente.
Mas sua carreira fez-se quase que inteira ao serviço da poderosa família dos Gondi. Ele evangelizou as nove mil almas que viviam em suas terras, e diminuiu a extensão das ruínas e das misérias produzidas pelas guerras civis ou com estrangeiros.
Até uma idade bem avançada, Vicente dedicou-se a evangelizar os pobres e sobretudo os camponeses. Para isto fez um especial voto, aprovado pela Santa Sé. Preocupou-se em estabelecer a disciplina eclesiástica, dirigindo seminários para o Clero, e tendo o cuidado de multiplicar as conferências espirituais entre os padres.
Enviou evangelizadores não só através das províncias da França, mas também para Itália, Polônia, Escócia, Irlanda e Índia.
Protegido pelos reis da França, assistiu Luís XIII nos seus últimos momentos e foi chamado por Ana d’Áustria, mãe de Luís XIV, para fazer parte do Conselho de Consciência.
Lançou os fundamentos de uma nova Congregação, a dos Lazaristas, e com Santa Luísa de Marillac criou a Instituição das Filhas da Caridade, ou Irmãs de São Vicente de Paulo.
Acabado de fadiga, o chamado Apóstolo da Caridade veio a falecer em 1660. Afirma-se não ter havido miséria que ele não houvesse socorrido. Cristãos aprisionados pelos turcos, crianças abandonadas, jovens indisciplinados, moças em risco de cair no pecado, religiosas displicentes, pecadoras públicas, condenados às galés, estrangeiros enfermos, artesãos sem trabalho, os loucos e os mendigos, todos foram lembrados pelo grande Monsieur Vincent, como era conhecido naquela época.
( Texto adaptado da Revista Dr Plinio n.162, setembro 2011)





sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Curso para os pais - Santa Teresinha do Menino Jesus

Como todos os internautas puderam ver em nosso blog, no dia 1 de outubro, celebramos a festa de Santa Teresinha, mas o nosso destaque a ela não ficou apenas no blog, no domingo passado o setor feminino dos Arautos do Evangelho de Curitiba preparou uma reunião para os pais com várias histórias da santa sendo algumas retratadas em teatro.
                                                                            
                                                                      ***
Certa vez, a freira que lhe ajustava aquela capa creme de carmelita errou na hora de fechar um alfinete de gancho, cravando-o na pele de Santa Teresinha. Esta, até o momento de tirar o hábito para dormir, aguentou o incômodo e a dor sem gemidos, porque tinha resolvido não recusar nenhum sacrifício que Deus lhe enviasse. Imagine-se o que seja levar um alfinete cravado na carne o dia inteiro!

Derivada da fortaleza, a virtude da paciência “inclina a suportar sem tristeza de espírito nem abatimento de coração os padecimentos físicos e morais”.1 Segundo Santa Catarina de Sena, a paciência é a “rainha posta na torre da fortaleza, que vence sempre e nunca é vencida”.2 
 
"A verdadeira caridade consiste em suportar todos os defeitos do próximo, não estranhar as suas fraquezas e procurar tirar proveito das suas virtudes, por pequeninas que sejam."  "Querendo aumentar esse amor (do próximo) no meu coração, e percebendo como o demônio busca pôr diante dos meus olhos os defeitos desta ou daquela irmã, trato logo de descobrir-lhe as virtudes ou boas intenções.  Reflito então que, se a vi cair em falta uma vez, bem pode ser que tenha alcançado muitas vitórias, que oculta por humildade; e o que se me afigura uma falta foi talvez um ato de virtude, pela intenção que a moveu a falar ou a proceder dessa maneira.  Facilmente me persuado disto, por tê-lo experimentado em casos que se deram comigo." 3

Havia no Carmelo uma Irmã idosa e enferma que quase não podia mais andar. Ninguém conseguia contentá-la; era preciso sustentá-la na frente e atrás; caminhar nem muito depressa nem muito devagar; chegando ao refeitório, era necessário instalá-la de uma certa maneira, dobrar-lhe as mangas a seu modo, dispor os utensílios, cortar o pão, seguindo suas regras. A pobre enferma recriminava sempre. Teresa ofereceu-se para acompanhá-la e ajudá-la, fez-se sua serva. E com que paciência executou-o, a ponto de fazer sorrir a pobre irmã.

1 ROYO MARÍN, OP, Antonio. Teologia Moral para seglares. 7.ed. Madrid: BAC, 1961, v.I, p.432.

2 SANTA CATERINA DA SIENA. Dialogo, apud ARRIGHINI, Il Dio ignoto: lo Spirito Santo. Marietti: Torino- Roma, 1937, p.411.

3 SANTA TERESA DO MENINO JESUS E DA SANTA FACE. História de uma alma ed. Carmelo.Marco Canaveses 2006


quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Nosso Senhor teve um anjo da guarda?

São Tomás de Aquino, secundado por outros insignes autores, busca esclarecer essa dúvida que surge do episódio do Getsêmani e outros trechos das Escrituras.
É doutrina bem conhecida que todo homem tem um anjo da guarda. Não seria estranho, pois, que surgisse a seguinte indagação: o próprio Nosso Senhor Jesus Cristo, sendo ao mesmo tempo Deus e homem — é este o mistério da Encarnação — teve também um anjo da guarda?
Os anjos nada tinham a ensinar a Jesus
Os anjos são, em relação a nós, como irmãos maiores encarregados pelo Pai comum de conduzir-nos rumo à Pátria Celeste. Têm a missão de guiar-nos e de remover, em misteriosa medida, os obstáculos do caminho. Sua “custódia” não consiste numa atividade de assistência e de defesa exercida pelo subalterno, mas numa espécie de tutela protetora que se adapta à nossa liberdade humana e que será tanto mais eficaz quanto mais nela nos apoiarmos com confiança e boa vontade.
Nessas condições, vê-se que Nosso Senhor não podia ter um anjo da guarda propriamente dito.
A principal ocupação do anjo da guarda, diz-nos São Tomás, é iluminar nossa inteligência: “A guarda dos anjos tem como efeito último e principal a iluminação doutrinal” (Suma Teológica I, q. 113, a. 5, ad 2). Ora, Nosso Senhor, mesmo em Sua ciência humana, não tinha como ser iluminado pelos anjos.
Os teólogos reconhecem três espécies de ciência na santa alma de Jesus Cristo, em Sua vida mortal: a ciência da visão beatífica, a ciência infusa e a ciência adquirida.
Pelas duas primeiras, Ele ultrapassava em profundidade e extensão de saber qualquer criatura, sem exceção: “Deus fez seu Cristo tanto mais superior aos anjos” (Hb 1, 4). Sob esse duplo aspecto, os anjos nada tinham a ensinar-Lhe.
Quanto à ciência adquirida ou experimental, que progrediu em Nosso Senhor com a idade, Cristo não tinha necessidade do socorro dos anjos para instruí-Lo sobre os diversos objetos que se ofereciam aos seus sentidos no grande livro do universo.
Entretanto, o serviço dos anjos Lhe convinha
Mas, embora Nosso Senhor tivesse pleno poder sobre as criaturas e, por conseguinte, pudesse obter diretamente tudo quanto fosse necessário à Sua vida corporal, o serviço dos anjos Lhe convinha a duplo título. Por um lado, essa assistência material — do mesmo modo que os cuidados com alimentação e vestuário prestados ao Menino-Deus por José e Maria, e depois ao pregador do Evangelho pelas santas mulheres — essa assistência dos anjos era conforme ao exterior de fraqueza e debilidade com que o Verbo feito carne tinha querido Se cobrir.
Por outro lado, não era conveniente que, antes mesmo de Cristo entrar na glória, os anjos já Lhe testemunhassem — por suas piedosas homenagens internas, e mesmo por discretas manifestações exteriores — que O reconheciam como seu Mestre e seu Rei?
A solução de São Tomás de Aquino
São Tomás não admite que Nosso Senhor teve um anjo da guarda no sentido estrito da palavra, porque o papel do “anjo da guarda”, que é propriamente o de dirigir e proteger, não podia ter por objeto a santa humanidade do Salvador.
Mas o grande Doutor se exime de rasgar o Evangelho e de negar o serviço dos anjos a Nosso Senhor. Os autores sagrados não explicam o modo habitual de funcionamento desse serviço, mas assinalam diversos atos significativos (Lc 2, 13; Mt 4, 11; 26, 53) os quais parecem indicar que Nosso Senhor teve, não um só anjo, mas uma falange de espíritos bem-aventurados ligados ao serviço e à assistência da Sua santa humanidade.
A posição dos anjos em relação à santa humanidade de Nosso Senhor está muito bem expressa por estas palavras do Doutor Angélico: “Não era de um anjo da guarda, enquanto superior, que Ele necessitava; mas de um anjo que O servisse como inferior. Daí o que se diz no Evangelho de Mateus (4, 11): ‘Aproximaram-se anjos que O serviam’” (Suma Teológica I, q. 113, a. 4 ad 1).
Era o papel de ministros, não o de guardiões, que os anjos tinham a exercer junto do Verbo encarnado: não eram custódios, mas servidores.
O episódio do Getsêmani
O episódio do Getsêmani mostra, é verdade, uma dificuldade especial: “Apareceu-Lhe então um anjo do Céu para confortá-Lo” — diz o texto sagrado (Lc 22, 43). Como pôde o anjo reconfortar Nosso Senhor, isto é, reanimar Sua coragem, trazer-Lhe um socorro moral?
São Tomás coloca muito bem a objeção: deste fato — nota o santo Doutor — não se deduz que Cristo foi instruído pelos anjos, visto que “somos reconfortados pelas palavras de exortação de quem ensina”? A esta dificuldade ele mesmo responde: “o conforto recebido do anjo não se deu a modo de instrução, mas para manifestar a veracidade de Sua natureza humana” (Suma Teológica III, q.12, a. 4, ad 1).
Essa explicação, temos de confessar, não satisfaz completamente o espírito. Pois nela aparece o porquê da intervenção angélica nessa hora tão penosa do Getsêmani, mas o como escapa. E, a menos que se considere como um simples gesto simbólico o reconforto trazido pelo anjo a Nosso Senhor, a dificuldade parece subsistir.
Por isso os autores se aplicam a levar adiante a explicação.
O anjo pôs em obra motivos de reconforto
Pode-se dizer que o anjo proporcionou algo como um reconforto moral à alma de Nosso Senhor, delicada entre todas, e tão sensível às manifestações de afeição quanto aos abandonos, às traições e aos ultrajes.
Assim, o papel do anjo não foi (o que seria inadmissível) de propiciar à alma de Nosso Senhor alguma “iluminação” verdadeira, de revelar-Lhe alguma coisa de novo para reanimar Sua coragem. Mas, seja por meio de uma palavra exterior, seja por uma ação interior sobre a imaginação e a memória do Messias, o anjo pôs em obra motivos de reconforto que o Deus Salvador conhecia bem, mas que Ele tinha afastado de uma maneira mais ou menos direta da aplicação de seu espírito; pois, a fim de beber até o fim o cálice de amargura, o augusto Redentor, no momento supremo da Paixão, se aplicava a considerar toda a extensão e toda a profundidade dessa Paixão expiatória.
De toda parte caíam sobre Ele horríveis visões e pensamentos acabrunhantes, provocando no Seu coração e na Sua carne angústias inexprimíveis: “Cercaram-me dores de morte, e torrentes de iniqüidade me conturbaram” (Sl 17, 5). Veio então o anjo evocar ao olhar de Jesus as mais doces representações.
Ah ! Sem dúvida — diz um piedoso autor —, esse celeste mensageiro chama a atenção do Salvador sobre as virtudes magníficas que iriam germinar de seu sangue divino; ele evoca o quadro profético desses admiráveis cortejos de virgens, de mártires, de confessores, de amigos fiéis e de verdadeiros arrependidos de ambos os sexos, de toda categoria e de todas as idades, que, apesar de muitas fraquezas, terão por Jesus um amor sincero e ardoroso e se esforçarão ao máximo para oferecer a seu bom Mestre reparação por tantos sofrimentos e feridas.”
(Traduzido, resumido e adaptado de L’Ami du Clergé, nº 50, 1911, p. 1111-1113.)
Revista Arautos do Evangelho n. 72 dezembro 2007