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terça-feira, 30 de dezembro de 2014

O Menino Jesus nas ruas de Curitiba

A época do Natal é uma das que mais encanta os Arautos do evangelho, e como tal desejam manifestar a todos as alegrias do nascimento do Menino Jesus. O setor feminino dos Arautos em Curitiba iniciou uma Missão pelas ruas do Bairro de Santa Felicidade onde residem. A Santa Missa marcou a abertura dessa missão, tendo lugar na Igreja Matriz de São José e presidida pelo Pároco, Padre Cláudio, que anunciou a todos os paroquianos que nos dias subsequentes os Arautos do Evangelho passariam pelas casas e comércios cantando músicas de Natal e levando o Menino Jesus, relembrando, assim, o verdadeiro espírito de Natal.

Nos dias seguintes, todas saíram animadas pelas ruas entoando o “Noite Feliz”, “Imensa Alegria”, “Vamos todos à porfia”... Entrando em restaurantes, bancos, cabeleireiros, sapatarias, farmácias, escolas... e sempre deixando uma mensagem de natal e rezando com os presentes. Na parte noturna, visitavam os lares onde as famílias se reuniam para um momento de oração e manifestavam as suas emoções por receber tão grande graça: a visita do Menino Jesus.

domingo, 28 de dezembro de 2014

Festa de Natal


Após várias preparações, chegou a almejada festa de Natal realizada na casa do Arautos do Evangelho. Iniciou-se com a entrada solene da Sagrada Família, seguida da Santa Missa celebrada pelo Revmo. Pe. Ryan Murphy.
Em seguida, todos tiveram a oportunidade de assistir a um vídeo com as atividades realizadas durante o ano de 2014.
A encenação teatral foi baseada na lenda do quarto Rei Mago representado pela Rainha Esther. Assim como os outros três reis Magos – Melchior, Baltasar e Baltazar – também queria adorar ao Menino Deus, mas ao contrário dos outros reis, foi sozinha já que ninguém de sua comitiva quis acompanhá-la. Ela levava para o Deus Menino três pedras preciosas: um rubi, uma safira e uma pérola. Quando chegou ao local marcado, os reis já haviam partido pois ela tinha se atrasado salvando uma jovem que estava sendo assaltada. Depois disso, a rainha atravessou o Egito à procura do Menino Jesus, e não conseguiu alcançá-Lo lá. Ele já havia partido. Após várias aventuras e caminhar por 33 anos, percebeu que não restara uma pedra para Lhe oferecer. Por fim, contaram-lhe que Nosso Senhor Jesus Cristo havia sido morto. Ao chegar ao túmulo fez uma última suplica dizendo que não sabia mais viver sem procurá-Lo e, portanto, desejava se encontrar com Ele na eternidade. Nesse momento, Jesus ressuscita e diz-lhe que recebeu todos os seus presentes em cada ato que realizou, e que agora ela seria uma rainha no Reino d´Ele.

Depois, como já é tradição, as participantes da Projeto Futuro e Vida e as alunas da Escola Arautos apresentaram várias músicas natalinas, de várias nações. E no final, como não podia deixar de faltar: São Nicolau! Que trouxe para as crianças doces e para os adultos o calendário de 2015.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Santo Estêvão Protomártir: O menino para quem Jesus olhou...

Por duas vezes, Nosso Senhor tomou um menino como exemplo para os discípulos, enaltecendo o valor da inocência. Estêvão, o primeiro mártir da Igreja, teve o incomensurável privilégio de ser um deles.
Ao lermos as palpitantes páginas dos Evangelhos, sentimo-nos convidados a sair do corriqueiro da vida cotidiana para sermos transportados a páramos mais elevados de onde parece emergir, suave e majestosamente, a figura de Jesus.

Podemos então imaginar aquela sagrada silhueta iluminada pelos últimos raios de um sol poente, andando pelas poeirentas estradas da Galiléia ou acariciando com sua sombra benfazeja as frescas margens do lago de Tiberíades.

Em todas as suas atitudes, em seus nobres gestos e em suas palavras repassadas de seriedade, o Divino Mestre deixava transparecer aquele insuperável amor pelas criaturas. Seu olhar doce e atraente procurava com divino afã almas dóceis a seus conselhos, que quisessem sujeitar-se ao suave domínio de seu jugo. Que alegria experimentava aquele Coração amoroso ao encontrar, em meio às ruidosas multidões que O seguiam, algum coração puro e inocente, inteiramente aberto e consoante com o seu! "Tomando um menino, colocou-o no meio deles; abraçou-o e disse-lhes: ‘Quem recebe um destes meninos em meu nome, a Mim é que recebe; e quem recebe a Mim, não Me recebe, mas Aquele que Me enviou'" (Mc 9, 36-37).

Cena admirável: a Inocência incriada inclinasse com agrado sobre a inocência criada! Oh feliz criança cuja candura atraiu os olhares do Salvador!

Quem era aquele menino? Conhece- se ao menos seu nome? Sabe-se qual foi seu destino?
"Homem cheio de fé e do Espírito Santo"
Uma piedosa tradição multissecular conta-nos que se tratava de Estêvão. Desde cedo recebera esmerada educação na escola de Gamaliel, famoso doutor da lei. Em pouco tempo, graças à sua inteligência e aplicação, Estêvão tornou-se um entendido nas Sagradas Escrituras. Segundo Santo Agostinho, quando ouviu a pregação de Pedro um raio da graça penetrou seu coração e o jovem decidiu abraçar a fé cristã com grande entusiasmo. Logo de início, destacou-se por seu zelo e virtude de tal modo que nos Atos dos Apóstolos Lucas no-lo descreve como "homem cheio de fé e do Espírito Santo" (At 6, 5).

A pregação incessante dos Apóstolos, após Pentecostes, fazia aumentar a cada dia a multidão dos fiéis que acreditavam no Senhor. Surgiu, porém, nesses dias um problema: os cristãos gregos queixavam-se de que suas viúvas estavam sendo negligenciadas na distribuição diária de auxílio. Necessitando dedicar-se exclusivamente à oração e ao ministério da palavra, decidiram os Doze encarregar desse ofício "sete homens de boa reputação" (At 6, 3), e Estêvão foi um dos escolhidos. Imediatamente entregou-se ele ao serviço dos irmãos.
Rosto semelhante ao de um anjo
Tudo parecia pouco para o ardoroso ímpeto daquele jovem que "cheio de graça e fortaleza, fazia grandes milagres e prodígios entre o povo" (At 6, 8). Em meio aos árduos trabalhos, encontrava alento na rememoração daquele olhar meigo e sereno de Jesus que anos atrás havia acariciado seus cabelos de menino. E no mais profundo de seu ser acalentava o sonho de um dia poder misturar o seu próprio sangue ao Preciosíssimo Sangue derramado até a última gota no alto do Gólgota.

Os inimigos de Cristo não podiam suportar por muito tempo a presença do intrépido jovem que lhes lembrava pública e continuamente a imagem do Crucificado. Desejosos de reduzir ao silêncio pregador tão importuno, "levantaram- se para disputar com ele, mas não podiam resistir à sabedoria e ao Espírito que o inspirava" (At 6, 9-10). Enfurecidos ao verem-se impotentes,"agarraram-no e o levaram ao Grande Conselho" (At 6, 12). Mas ele não se acovardou: calmo e sereno, enfrentou o populacho amotinado e as falsas acusações de testemunhas subornadas que lhe imputavam o crime de ter blasfemado contra Moisés e contra Deus. A alegria de poder oferecer sua vida pelo Senhor pervadia-lhe a alma e refletia-se exteriormente, de modo que "todos os membros do Grande Conselho viram o seu rosto semelhante ao de um anjo" (At 6, 15).

"Esbravejavam de raiva e rangiam os dentes contra ele"
Interrogado pelo Sumo Sacerdote, Estêvão com longo e abrasado discurso, no qual manifestou filial respeito e veneração pelos antigos patriarcas, louvou a piedade de Abraão, a paciência de José e os grandiosos feitos de Moisés; e mostrou quão injustas e infundadas eram as acusações contra ele proferidas. Depois, inflamado de santa ousadia, exclamou: "Homens de dura cerviz, e de corações e ouvidos incircuncisos! Vós sempre resistis ao Espírito Santo! Como procederam vossos pais, assim procedeis vós também! A qual dos profetas não perseguiram os vossos pais? Mataram os que prediziam a vinda do Justo, do qual vós agora tendes sido traidores e homicidas. Vós que recebestes a lei pelo ministério dos anjos e não a guardastes..." (At 7, 51-53).

O corajoso diácono não pôde terminar seu inspirado testemunho. Aquelas palavras eram por demais verdadeiras para serem suportadas pelos inimigos da fé, os quais "esbravejavam de raiva e rangiam os dentes contra ele" (At 7, 54). Mas Estêvão, cheio do Espírito Santo, permanecia de pé, no meio daquela hostil assembleia. Os insultos para ele nada representavam. Pelo contrário, eram um estímulo para crer nos coros de anjos que, além das muralhas das aparentes realidades desta vida, o aguardavam com uma palma e uma coroa. Levantando os olhos para o céu, viu aparecer-lhe o próprio Jesus, refulgente de glória, sustentando-o com seu divino olhar naquele supremo instante. E exclamou cheio de gozo: "Eis que vejo os céus abertos e o Filho do Homem, de pé, à direita de Deus" (At 7, 56).

Ouvindo isso, os membros do Grande Conselho rasgaram as vestes e taparam os ouvidos enquanto, com grandes gritos, clamavam pela morte do "blasfemador". Estêvão viu-se rodeado por uma multidão ululante e sedenta de vingança que o empurrava violentamente para fora da cidade. Lá chegando, começaram a apedrejá-lo. Em meio a horríveis sofrimentos, o atleta de Cristo orava: "Senhor Jesus, recebe o meu espírito" (At 7, 59). Nem mesmo uma tão sublime cena conseguiu comover algum desses corações endurecidos; cegos de ódio, continuavam a lançar enormes pedras sobre a inocente vítima.

Posto de joelhos, Estêvão percorreu uma última vez com os olhos a horda criminosa dos perseguidores. Suas vistas, já turvadas pela iminência da morte, detiveram-se, por alguns momentos, sobre um jovem de Tarso que guardava os mantos dos apedrejadores. Saulo, o fanático adepto dos fariseus, o adversário irreconciliável de Jesus Cristo, sentiu-se perturbado ante a insistência daquele olhar que o fixava com expressão severa e compassiva. E o angelical diácono exclamou em alta voz: "Senhor, não lhes leves em conta este pecado... E a estas palavras expirou" (At 7, 60).
Na aparente derrota, a vitória suprema
Tudo estava consumado. O primeiro mártir acabava de regar com o seu próprio sangue aquela semente de santidade que, numa quente tarde de verão, o Homem-Deus havia lançado em seu infantil coração. O grão de trigo estava morto, jazendo por terra, caído sob os golpes de um ódio bestial e injusto. Os lábios do jovem pregador não mais se abririam para invectivar com palavras de fogo; as dedicadas mãos do diácono não mais se moveriam para batizar ou servir; sua nobre presença, insuportável para os maus e doce para os bons, não mais se faria sentir; tudo isso estava agora reduzido a um pobre corpo ensanguentado, sem vida.

Entretanto, os inimigos não festejaram com manifestações de alegria sua vitória homicida. Ao contrário, diante da demonstração de fé e de nobreza que acabava de presenciar, a assistência retirou-se pesarosa e frustrada, procurando fugir daquele trágico espetáculo que lhe incomodava a consciência.

Estêvão, o derrotado, havia vencido! Seu testemunho de fé seria alento para os cristãos até o fim dos tempos. E seu generoso holocausto não tardaria em frutificar na alma daquele infame jovem que aprovara a sua morte: de Saulo surgiria Paulo, o incansável Apóstolo dos gentios, graças ao sacrifício e às orações do primeiro mártir a quem outrora Jesus havia olhado! 
 Ir. Clara María Morazzani - 2009/08/24 - Revista Arautos do Evangelho, Dez/2005, n. 48, p. 19 à 21)


sábado, 13 de dezembro de 2014

Encerramento do Projeto Futuro e Vida para os Pais

Depois de um mês de Curso sobre a Eucaristia, aula de confecção de terços, aulas de karatê, o encerramento do Projeto Futuro e Vida para os pais teve lugar na Escola Arautos do Evangelho, um espaço desconhecido para vários. Iniciou-se com a Santa Missa celebrada pelo Revmo. Pe. Tonellli e com a entrega das lembranças, um belo livro de orações eucarísticas. Depois de assistirem a um vídeo a respeito das atividades da Escola Arautos durante o ano de 2014, todos dirigiram-se para o local do saboroso churrasco, tão bem elaborado com a ajuda dos pais das participantes do Projeto. A programação do dia encerrou-se, para além da sobremesa, com uma apresentação musical das alunas da Escola.

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Jantar em família


No final do mês de Novembro, o setor feminino dos Arautos do Evangelho teve a imensa alegria de receber a visita dos quatro padres da Paróquia de Santa Felicidade, entre os quais o nosso estimado pároco, o Padre Cláudio.
O cardápio escolhido não poderia ser outro: pizza, uma vez que o bairro de Santa Felicidade é povoado por italianos e sobretudo, pela presença do Padre Vincenzo.
Durante o animado jantar foram diversos os temas tratados; as mais jovens da casa fizeram uma apresentação musical para os sacerdotes e, no final, estes foram surpreendidos com uma lembrança: uma bela caneta com o nome gravado.

Posteriormente, foi a vez de os padres cantarem, os primeiros foram os padres haitianos que nos encantaram com as suas músicas em língua francesa, depois o sacerdote proveniente da Itália, que cativou a todos com a tradicional música Santa Lucia. Só faltou o Padre Cláudio… mas foi providencial ele não ter cantado desta vez, pois isso significa que voltará em outra ocasião e deslumbrará a todos com os seus cantos.

domingo, 7 de dezembro de 2014

Um criminoso entre 56 inocentes

Conta-se que no antigo Reino de Nápoles, muito antes da invasão das tropas francesas, morrera o grão-conselheiro que, com sabedoria, havia auxiliado o soberano a governar a nação, e este hesitava sobre quem nomear para substituí-lo.
Inclinava-se para um amigo seu, chamado Genaro, experiente juiz, homem probo que não titubeava em testemunhar publicamente sua fé. O importante cargo, porém, era cobiçado por outras personalidades da Corte, e o rei precisava evitar entrechoques partidários. Procurando encontrar um meio de nomear Genaro sem causar ressentimentos nos opositores, teve certo dia uma ideia genial: “Genaro é sem dúvida o mais competente de todos os magistrados do Reino. Vou propor-lhe um caso bem intrincado, e tenho certeza de que ele o resolverá. Demonstrada publicamente sua capacidade, ninguém poderá queixar-se de ser ele nomeado grão conselheiro...”
Tomada essa resolução, o soberano enviou a Genaro uma carta:
“Necessito de teu valioso auxílio para resolver uma complexa questão. Com frequência, chegam-me aos ouvidos queixas de que a justiça napolitana é dura e inflexível. Visando verificar a procedência ou não dessas reclamações, desejo fazer rever os processos de alguns condenados. Para isso, escolhi a prisão de Castel dell’Uovo, onde estão reclusos os piores criminosos de Nápoles.
“Peço, portanto, que para lá te dirijas e reexamines o processo de cada um dos presos. Confio na tua arguta inteligência e ampla capacidade jurídica. Sei que darás pública demonstração de misericórdia, sem ferir em nada a justiça nem a lei que há séculos norteia nosso Reino.
“Envio com esta um Decreto Real que te concede poderes para administrar a justiça em meu nome, junto aos encarcerados de Castel dell’Uovo.”
                                           * * *
A leitura dessa carta deixou o magistrado imerso em graves considerações. Que difícil incumbência lhe dava o rei! Ser rígido e misericordioso ao mesmo tempo, e logo na prisão de Castel dell’Uovo! Ele, porém, não era homem de esquivar-se das dificuldades. Invocou a proteção de Santo Ivo, padroeiro dos advogados, despediu-se de sua esposa e partiu para a fortaleza-prisão.
Os meios de transporte dessa época não eram rápidos como os de hoje. Assim, quando Genaro chegou ao mal-afamado presídio, espalhara-se já por toda parte a notícia do desafio jurídico que ele ia enfrentar. As reações eram as mais variadas. Alguns céticos consideravam impossível usar de misericórdia para pôr em liberdade nem um sequer daqueles criminosos. Outros, pelo contrário, temiam que o juiz, num acesso de liberalidade, pusesse de lado a justiça e fizesse soltar alguns ou muitos deles. Todos, entretanto, reconheciam ser esse um caso complexo, no qual estariam em jogo tanto a competência profissional de Genaro quanto a bondade que se esperava de um magistrado católico.
                                                   * * *
A primeira providência de Genaro foi mandar reunir no pátio todos os reclusos, 57 ao todo. Que fisionomias! Naqueles rostos assustadores, viam-se estampados todos os vícios.
Sobre sua mesa, estavam os processos: assassinatos, roubos, sequestros e outros crimes tão vis que é melhor nem mencionar. Os reclusos cochichavam entre si, usando um vocabulário cheio de gírias. Um bandido com tapa-olho e nariz torto comentou:
— Mo’... Esse juiz é um carola, um papa-hóstias... Se ele for cumprir o que está escrito na Bíblia, terá de soltar-nos!
Outro patife, meio desdentado e com uma grande cicatriz na face, retrucou:
— É isso mesmo! Olha só a cara dele! Esta tarde, estaremos na rua, camaradas!
Vendo todos reunidos, Genaro mandou que, devidamente escoltados, viessem um a um diante dele, para deporem. Ao chegar o primeiro, perguntou-lhe:
— Então, por que você está aqui? Fazendo a melhor cara possível, o criminoso declarou-se inocente, vítima de calúnias e tribunais injustos. E concluiu cinicamente:
— Estou certo de que agora me será concedida a liberdade à qual tenho direito, como homem honesto que sou!
O juiz ouviu com muita atenção e fez o escrivão anotar no livro o depoimento. Veio em seguida o segundo, depois o terceiro, o quarto... até o 56º. Todos afirmavam sua inocência, alegando os mais variados motivos. E Genaro demonstrava estar compadecido pelas injustiças de que aqueles homens declaravam serem vítimas. A tal ponto que os guardas comentavam entre si: “Será possível que o juiz esteja acreditando nas mentiras desses bandidos? Nem o mais ingênuo dos homens daria crédito a tais patifes!”
Por fim, veio o último. Era um rapazola magrelo e quase imberbe, que não devia ter mais de 19 anos. Não era arrogante como os outros, mas tímido e cabisbaixo. Estava envergonhado de se defrontar com o juiz, representante da justiça e do rei. A tal ponto destoava dos outros, que o juiz perguntou ao comissário de polícia de quem se tratava.
— Ah, doutor... esse coitado aí é um órfão, lavrador desempregado. Ele foi apanhado ontem roubando legumes e frutas na feira. Está aqui só porque o crime foi cometido nas cercanias, mas logo será transferido para uma cadeia de baixa periculosidade, antes que os outros lhe dêem as “boas vindas”...
O juiz franziu a testa, olhou fixamente o rapaz e perguntou:
— E você, jovem patife, o que tem a dizer a seu favor?
Abaixando ainda mais a cabeça, o pobre, com voz sumida, declarou:
— Nada, senhor... Roubei, e isso é um pecado. Desonrei o nome de meu falecido pai, e não segui o ensinamento de minha pobre mãe a respeito dos Mandamentos. É justo que pague na cadeia pelo mal que cometi.
O magistrado ficou ainda mais sério, e inclinando-se para frente sentenciou:
— Basta! Com este caso, concluo a missão que o rei me deu. Quanto aos 56 depoentes anteriores, todos afirmaram sua mais completa inocência. Coisa muito admirável, numa sociedade tão corrompida como a nossa.
E batendo com vigor o martelo de madeira sobre a mesa, proclamou:
— Em nome de Sua Majestade, declaro inocentes todos esses 56.
Os criminosos sorriram satisfeitos, enquanto os guardas se entreolhavam, incrédulos e abismados. E continuou o juiz:
— Decido também que o Estado Napolitano tem o dever de proteger esses inocentes contra os maus elementos que imperam lá fora. Assim, todos vocês deverão continuar neste cárcere por tempo indeterminado, custodiados pela polícia.
Voltando-se em seguida para o rapaz, o último a prestar depoimento:
— E você, malvado, que tão descaradamente reconhece seus crimes, eu o expulso daqui, para não contagiar esses 56 inocentes com sua malícia. Órfão, faminto e desempregado... Pois bem, condeno-o também a ser contratado como jardineiro no Tribunal de Nápoles. Procure-me depois para acertar o cumprimento de sua pena. Guardas, acompanhem esse rapaz até a igreja mais próxima, caso ele queira confessar-se, e deem-lhe como castigo um bom lanche antes de partirmos.
                                                  * * *
Que reviravolta! Pasmos e arrasados, os criminosos ficaram mudos, enquanto os guardas, por sua vez, sorriam de satisfação.
A notícia do espetacular julgamento correu todo o Reino, e o Dr. Genaro foi nomeado grão-conselheiro. O rei ficou muito satisfeito, pois seu amigo não o decepcionara, e, naturalmente, ninguém ousou opor-se à nomeação de juiz tão justo e sagaz.
Quanto ao “malvado” rapaz, foi contratado como jardineiro do Tribunal, bendizendo o magistrado que o considerara o único criminoso entre aqueles 56 inocentes...

María Lucilia Morazzani Arráiz – Arautos do Evangelho · Agosto 2006

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

A Idade Média em nossos dias


Os alunos da Escola Arautos do Evangelho – Curitiba, realizaram uma Mostra do Conhecimento, sobre o tema: A arte fazendo arte, na Idade Média.

As alunas falaram sobre os mosaicos, vitrais, gravuras, mosaicos, bem como os trajes e sua evolução, tudo elaborado por elas. Houve também uma apresentação de saltimbancos, que eram os artistas que exibiam os seus números nas praças. A Mostra não poderia terminar sem falar das belíssimas construções principalmente dos castelos e catedrais, e dentro disso foi comentado, também, os brasões, tanto eclesiásticos como de famílias.